Água e andorinhas sobre Cabaceiras e o CINEPORT

(João Matias)

Convidados ilustres da política e sociedade paraibana estiveram presentes no primeiro dia do festival CINEPORT, marcado por chuvas, discursos poéticos com loas à cidade (que sediará o festival bienalmente), à iniciativa e ao intercâmbio cultural. Ao final, houve a exibição do documentário “O engenho de Zé lins” de Vladimir Carvalho.

Nas boas vindas do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, textos, citações e poemas de autores versados no idioma mátrio (e não pátrio). Para finalizar: “Se não puderem voltar, mandem um filme em forma de poema”, afirmou o prefeito. Luzes apagadas, a tela clareia-se para as primeiras cenas do documentário, cujo foco não recai somente sobre a vida do paraibano José Lins do Rego, mas também na necessidade de reformar e preservar o patrimônio do engenho.

Sob chuvas intermitentes, a noite de sexta encerrou-se com um coquetel ao som de JPSAX. Também o sábado se acercou de chuvas, não impedindo ao público de chegar cedo e presenciar ao “Intervalo das Águas e Domiciliares”, encenado nos espaços da praça que divide as tendas de exibição.

Às 18 horas, a Tenda Andorinha Digital transmitiu a mostra competitiva de curtas com filmes filmados em Campina Grande, cujos diretores, Ricardo Migliore, Rodrigo Nunes e André da Costa Pinto, concorrem ao Prêmio SAELPA/CINEPORT. Entretanto, o que mais marcou o dia foram alterações na programação, transmitiram o documentário do homenageado Zezé Gamboa, Mopiopio, em vez de O Herói, do mesmo diretor.

Após a segunda apresentação do “O engenho de Zé Lins”, também às 18, um debate entre o diretor Vladimir Carvalho e o público incitou reflexões sobre a “Roliúde Nordestina”. Na discussão: o porquê do nome “Roliúde” (quais os motivos para associar o município a um mito americanizado?); o povo e a história do município de Cabaceiras (onde fica o incentivo a educação e ao progresso social com essa recente notoriedade artístico-cultural?); a efetividade do título “Roliúde Nordestina” (será marketing político ou verdadeira tensão de promover o progresso cultural da cidade e do Estado?).

Por fim, grandes filas formaram-se para a exibição do filme Barra 68, também do Vladimir Carvalho; e o Recital de música e poesia do Manuel Bandeira foi adiado para o dia seguinte. Uma confluência de sotaques aproximava e distanciava os cineastas e convidados de outros países dos paraibanos. Ao final da noite, Mart’nália mostrou seu repertório ao público do festival cujas promessas para a cultura paraibana são as mais promissoras.

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