Entrevist@:Ely Marques Ferreira,26 anos.João Pessoa – PB.

ely.jpgEly como se deu o seu interesse por cinema?

Acho que durante a infância, já ia muito ao cinema ver os trapalhões e afins,
e a sala de cinema, a poltrona, o escuro, o ar, enfim tudo aquilo
me encantava. Mas filmes na TV em VHS também fizeram parte
da minha infância. Então na hora de fazer o vestibular, aquele
momento em que a gente para e escolhe o que pretende fazer
da vida, eu encontrei o primeiro vestibular de Arte e Mídia da Federal
que na época ainda era UFPB e lá meu interesse por cinema foi alimentado.

Quais são as suas outras produções audiovisuais?

São muitas, durante a graduação fiz “Vida urbana nordestina” que
já foi exibido várias vezes em Campina, durante ENC, Festival de inverno,
provas de habilidade de Arte e Mídia, e entrou num festival de cinema
de Teresina.
Mostra. É um curta de 10 minutos e mostra o cotidiano urbano de duas
cidades nordestinas, todo em “lapsetime”. E vários outros projetos de
documentários, ficções, institucionais, vídeos publicitários, às vezes como diretor,
montador ou, animador, finalizador, ou até produtor e às vezes tudo junto,
aqui (nordeste) a gente termina fazendo de tudo. Mas me sinto muito bem na direção e edição.
Até nas artes gráficas tenho meus projetos, inclusive fiz as artes do último
encarte do ultimo CD da Cabruêra.

Como você conheceu o Arthur Lins? Como acabaram fazendo o filme juntos?

Foi através de Leonardo Saraiva, um amigo e colega de graduação que me apresentou
Arthur, eles se conheceram em uma oficina de cinema na UFPB e Arthur
convidou Léo para participar de um curta e Léo acabou me chamando, lá durante as gravações
conheci Arthur e desde então temos uma relação de parceria muito forte. Também
conheci Marcelo Coutinho e nós três formamos um coletivo de produção, chamado
de Engenho Corte Seco, fizemos algumas coisas mas não teve continuidade.
E o “Um fazedor…” foi nossa primeira empreitada com financiamento de
fundo de cultura. Antes, eu, Arthur e Marcelo sentamos pra discutir idéias para apresentar projeto ao FIC e surgiu a idéia de Arthur que já tinha ouvido falar em nesse personagem Ivanildo que fazia filmes, decidimos que era uma ótima e apostamos Eu e Arthur nos debruçamos sobre o
projeto(Arthur principalmente) e apresentamos ao FIC onde foi
aprovado, Marcelo entrou como assistente de produção, still e som
direto.


De que surgiu a idéia do Filme?

A idéia veio de Arthur, que na época
trabalhava na Videostore e lá ele conheceu a estória…

Quem teve a idéia de se inscrever “O Fazedor…” para o Fundo Augusto dos Anjos?

O FIC na verdade era o objetivo inicial, já que queríamos produzir algo
com a estrutura de um projeto patrocinado.

Como foi a produção do filme, algum fato inusitado que queira relatar?
Foi muito intensa, ficamos hospedados com a família de Ivanildo
mais especificamente na casa de Vavá seu cunhado e Ivaneide sua irmã,
assim pudemos ficar muito próximo da realidade de Ivanildo, as conversas,
o dia-a-dia, criamos uma proximidade que foi além do documentário. Eu mesmo
acredito que tivemos certa incompetência em não retratar melhor e mais
profundamente tudo o que vimos lá, mas isso acontece principalmente por ser um
curta. Até chegar lá não tínhamos nenhuma impressão precisa sobre o que iríamos
encontrar, só conhecíamos a voz de Ivanildo o temor de encontrarmos algo que
não fosse atingir nossa expectativa era grande. Mas o que aconteceu foi que a
estória de Ivanildo superou nossas expectativa a vontade dele, o sonho
que ele tinha e a maneira como ele lidava com todas as dificuldades parecia
muito com a gente só que com dificuldades muito maiores, logo o que vem
na cabeça é que as vezes reclamamos de mais e produzimos de menos.

Como foi a emoção de vencer o prêmio SAELPA/CINEPORT?

Foi uma emoção única, receber aquele prêmio de melhor filme digital
paraibano (escolha unânime do júri) diante daquela platéia com grandes
nomes da cultura paraibana, foi algo baste forte e significativo.
Apesar de conhecermos o potencial do nosso projeto e termos ótimos

concorrentes não tínhamos alimentando nenhuma expectativa, é tanto que
quase nem fomos à cerimônia de premiação.

Qual a importância e como foi a recepção do filme nas escolas públicas?

A exibição nas escolas públicas foi uma contrapartida social, achamos
que a exibição de um documentário paraibano que falava de uma
peculiaridade da nossa cultura é duplamente importante, pois
normalmente só tem acesso a conteúdo da TV que produz
muito pouco sobre nós mesmos, infelizmente as regras
para produção local de conteúdo não é respeitada e se formos
falar em cinema, piorou pois não existe nenhuma produção local
sendo exibida no circuito de cinema do estado e como se isso
não fosse suficiente o acesso aos cinemas se restringe as classes
econômicas mais ricas, a minoria. Logo a importância de uma
ação como essa é de grande valor para nossa identidade cultural
e auto-estima.

O filme concorreu ou vai concorrer a outros prêmios?


São vários festivais e mostras nem todos são competitivos:
-Viva o Centro – Arte e Cultura no Centro Histórico, João Pessoa –
Paraíba, dezembro de 2006
-MOSTRA DE FILMES DE CURTA-METRAGEM do 16º Encontro para Nova Consciência, 2007
-Mostra do Filme Livre 2007 – Rio de Janeiro – mostra competitiva
-3º Cineport – Festival de cinema dos países de língua portuguesa – Premiado como melhor filme digital paraibano
-CineEsquemaNovo 2007 – Festival de Cinema de Porto Alegre – mostra competitiva
-Projeto Cine Volante, João Pessoa – Paraíba, junho de 2007


Onde o filme será exibido novamente em festivais, no Brasil e na Paraíba?

CineEsquemaNovo 2007 – Festival de Cinema de Porto Alegre

-Projeto Cine Volante, João Pessoa – Paraíba, junho de 2007
Sexta-feira (1º/6), às 19h30 – Centro de Referência da Cidadania, no
bairro do Roger.
Sábado (2/6), às 18h – 1ª Mostra Cultural de Mussumagro, bairro do
Valentina Figueiredo.
Terça-feira (5/6), às 19h30 – Escola Municipal Luiz Mendes Pontes,
bairro do Cristo Redentor.
Quarta-feira (6/6), às 19h30 – Projeto Beira da Linha, bairro do Alto do Mateus.
Terça-feira (12/6), 19h30 – Escola Municipal Professora Antonia do
Socorro Machado, Comunidade Paratibe.
Quarta-feira (13/6), às 19h30 – Escola João Santa Cruz, bairro dos Novais.
Quinta-feira (14/6), às 19h30 – Escola Municipal Renato Lima, bairro
de Cruz das Armas.
Quinta-feira (28/6), às 19h30 – Comunidade Alto do Céu, bairro de Mandacaru.


Em sua opinião como anda a produção cinematográfica na Paraíba?

Estamos num momento importante, várias produções estão
em
andamento. Acho que o acesso à tecnologia tem possibilitado isso.
E a Paraíba tem uma história muito importante no cinema brasileiro,
acho q estamos dando uma boa continuidade a essa história.

Quais as suas referências enquanto autores de cinema no Brasil e no Mundo?

As referências são muitas, o construtivismo russo, expressionismo
alemão, neorealismo Italiano, Nouvelle Vague francesa, cinema novo
brasileiro, cinema americano, dogma95, alguns nomes como eisenstein,
Vertov, Vittorio De Sica,Truffaut, Buñel, Orson Welles, Stanley
Kubrick, Norman Maclarem, Danny Boyle, Wim Wenders, Lars von Trier,
David Lynch, Glauber Rocha, Jorge Furtado, Luiz Fernando Carvalho,
João Moreira Salles, Walter Salles, Beto Brant, Vladmir Carvalho,
Eduardo Coutinho. E definitivamente esqueci muita coisa ehehehhe


E as idéias para o futuro. Alguma idéia em mente para um novo
documentário ou ficção?


Temos sim, nessa premiação do Cineport também ganhamos cinco latas de 35 mm
do CTAV do Minc. Pretendemos fazer um curta de ficção, nós ainda vamos para conversar sobre esse projeto.

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